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Bonito é tudo isso mesmo. Mas o Mato Grosso do Sul tem muito mais.

Roteiro de 10 dias por um estado que surpreende entre serras, grutas e planícies.



Foram dez dias de estrada com a Fioreta, a Fiorino motorhome do Hugo, atravessando rios, se enfiando em grutas e se encantando com as paisagens e animais que cruzavam nosso caminho.


Mesmo sendo do Mato Grosso do Sul, Hugo também ficou surpreso com tantas possibilidades diferentes de curtir o estado. Ele já conhecia Bonito, mas nunca tinha ido à Serra da Bodoquena, ao Pantanal, nem ao Morro do Paxixi.


O Mato Grosso do Sul é um estado jovem, criado em 1977, após a divisão do antigo Mato Grosso. Foi cenário de batalhas da Guerra do Paraguai, abriga uma das maiores populações indígenas do país e guarda uma mistura de fronteira que se sente no sotaque, na comida e no jeito de receber.


Em praticamente todos os passeios serviam a sopa paraguaia, um tipo de bolo salgado de milho, queijo e cebola, presença garantida no prato sul-mato-grossense.


Nosso roteiro de 10 dias pelo Mato Grosso do Sul


Campo Grande → Bonito → Serra da Bodoquena → Pantanal (Fazenda São Francisco) → Miranda → Aquidauana → Morro do Paxixi


A viagem começou em Campo Grande, Hugo e a Fioreta foram buscar Marcela no aeroporto. Na estrada, MS já mostrava sua biodiversidade diferenciada. Foram muitos os animais avistados no caminho: tucanos, araras, emas, anta, tamanduá e o simpático tatu. Marcela finalmente realizou o desejo de ver um tatu no habitat natural.


Nosso primeiro destino foi a Serra da Bodoquena, região vizinha a Bonito, onde as águas verdes do rio Salobra cortam cânions e revelam trilhas escondidas.


Serra da Bodoquena: trilhas, cachoeiras e água verde-esmeralda



No primeiro dia, fizemos um aquatrekking pelos cânions do Salobra, e o verde da água parecia coisa de outro planeta. Uma transparência que nenhuma câmera faz justiça.


No dia seguinte, encaramos a Trilha Discovery, na Boca da Onça Ecoturismo. Foram 7 quilômetros de caminhada entre mirantes e cachoeiras. Estávamos no período da seca, e muitas quedas d’água tinham desaparecido, mas a beleza resistia — especialmente no Buraco do Macaco, onde depois de passar debaixo de uma pedra, encontramos uma piscina escondida de água azul.


Bonito é tudo o que dizem — e talvez até um pouco mais.



Bonito, por si só, já rende muitas viagens. Segundo o portal turístico local, são mais de 40 atrações cadastradas oficialmente — entre grutas, trilhas, balneários e flutuações.


Começamos pelas trilhas da Estância Mimosa, que levaram Marcela de volta aos contos de fada. As cachoeiras de planta calcificada formavam paisagens que pareciam cenário de filme de fantasia.


No dia seguinte, nosso roteiro incluía a descida de bote pelas corredeiras do Ecopark Porto da Ilha. Um rolê bem turistão e barulhento, mas bastante divertido.


Depois, foi a vez de explorar a Gruta do Mimoso, uma das poucas onde é permitido nadar. Bonita? Sim. Mas não foi o ponto alto das atrações.


E então veio ele: o Abismo Anhumas. Um rapel de 72 metros até uma caverna submersa de cones de calcário gigantes — alguns dos maiores do mundo. A descida dá frio na barriga, o visual é hipnótico, e o preço... salgado. R$ 1.600 por pessoa. A gente foi em parceria e, sem dúvida, foi um imenso privilégio vivenciar aquela experiência. Aliás, é importante dizer: Bonito tem beleza e estrutura, e também um custo alto.



Encerramos a passagem por ali com a flutuação no Rio Sucuri, água gelada e cristalina, peixes coloridos e até um tamanduá-mirim nas margens. Entre os cardumes, vimos dezenas de piraputangas, o peixe-símbolo da região — ele está em todo canto, até na praça central de Bonito, em uma escultura gigante.


Em resumo, Bonito é caro, mas também parece ser um exemplo de turismo sustentável que dá certo: guias preparados, controle de visitantes e respeito à natureza.


Pantanal sul-mato-grossense: um day use na Fazenda São Francisco



Nos despedimos do cerrado e das grutas para conhecer as planícies do pantanal. Conseguimos uma parceria com a Fazenda São Francisco, em Miranda, pra um day use no Pantanal. Foi uma daquelas experiências de turismo de vitrine: organizada, confortável, bonita, que deixa uma sensação de querer mais.


Fizemos o safari fotográfico, vimos veados, emas e muitas, muitas espécies de aves. Nenhuma onça. Nenhum tuiuiu. No passeio de chalana pelo rio, foi possível ver jacarés e mais aves.


Mas a verdade é que até o quase do Pantanal já impressiona. A paisagem vale a pena por si só.


Morro do Paxixi: uma vista incrível em Aquidauana



No caminho de volta pra Campo Grande, decidimos fazer um desvio até o Morro do Paxixi, perto de Aquidauana. Disseram que é um dos pontos mais lindos da região — e confirmamos.


Só erramos o horário: meio-dia, sol de rachar.. Os equipamentos do Hugo esquentaram, a água acabou antes do topo e só a vista salvou: uma planície que parece não ter fim.


Ficou o gostinho de voltar com mais tempo, se hospedar pelas pousadas do caminho, conhecer a vinícola da região e, claro, subir num horário mais propício.







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